🌿 Árvore e Folha, de J.R.R. Tolkien : uma semente de mundos



Publicado originalmente em 1964, Árvore e Folha (Tree and Leaf) reúne dois textos essenciais para compreender a poética de Tolkien: o ensaio “Sobre Histórias de Fadas” e o conto “Folha, de Niggle”. Embora curto, o volume é imenso em significado, oferecendo ao leitor uma chave de leitura para toda a obra tolkieniana, e, mais do que isso, um manifesto literário sobre o poder da imaginação.

🍃 “Sobre Histórias de Fadas” – teoria como encantamento

Neste ensaio, Tolkien defende com veemência o valor da fantasia como forma legítima de arte e não mero escapismo, mas um modo de revelar verdades profundas por meio da “subcriação”, um conceito central no texto. O autor argumenta que o ser humano, feito à imagem de um Criador, também é criador de mundos, e que a fantasia, quando bem feita, é um tipo de verdade alternativa, não uma ilusão.

A distinção entre “fantasia” e “fuga” é cuidadosamente construída. Tolkien rejeita a ideia de que a fantasia seja uma forma de negar a realidade pois  para ele, é um modo de transcendê-la, de alcançar o que ele chama de eucatástrofe: uma virada repentina que traz esperança, como o final de O Senhor dos Anéis.

🍂 “Folha, de Niggle” – alegoria da criação artística

Neste conto delicado e melancólico, acompanhamos Niggle, um pintor obcecado por pintar uma árvore perfeita, mas constantemente interrompido por demandas do mundo “real”. A história é uma metáfora da tensão entre o ideal artístico e a vida cotidiana, e também uma meditação sobre morte, julgamento e redenção.

A árvore de Niggle, inacabada em vida, floresce em outra dimensão, um símbolo da esperança de que a beleza criada com sinceridade nunca se perde. É difícil não ver Niggle como uma figura espelhando o próprio Tolkien, com sua dedicação quase obsessiva à construção da Terra-média.

🌱 Um livro sobre criar (e crer)

Árvore e Folha não é apenas uma leitura sobre fantasia, é um ato de fé na imaginação como veículo de verdade, consolo e beleza. Para quem já ama Tolkien, é um mergulho mais profundo no coração de sua obra. Para quem o conhece apenas pelos filmes ou pelas grandes sagas, pode ser uma revelação: a fantasia, aqui, não é fuga da realidade e sim um reencontro com ela, sob nova luz.


Boa leitura!

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